DANÇA

COMPANHIA NACIONAL
DE BAILADO


26 de julho · quinta-feira · 22:00

27 de julho · sexta-feira · 22:00

28 de julho · sábado · 22:00











       

Ambra Senatore (n. 1972)

Toccata e Fuga

 

William Forsythe (n. 1949)

Herman Schmerman

 

Marius Petipa (1818-1910)

Raymonda (III Ato)


   

Há uns anos a Clara Andermatt coreografou para a Companhia Nacional uma obra cujo título era Dance Bailarina Dance. Não podia ser mais apropriado recuperar esse título, enquanto mote, para este grande momento de reencontro com o público, que é o Festival ao Largo, e adaptá-lo para Dancem Bailarinos Dancem. E eles vão fazê-lo de forma consensual, de Petipa a Balanchine até ao Forsythe, eles vão dançar como quase todos gostam de ver; como anjos que farão do Ao Largo um jardim das delícias.

Paulo Ribeiro
Diretor Artístico
Companhia Nacional de Bailado


   

Toccata e Fuga

A convite de Paulo Ribeiro, Ambra Senatore cria Toccata e Fuga para 18 bailarinos da CNB. As questões da partilha e do encontro constituem, para Ambra Senatore, elementos importantes do espetáculo ao vivo. O humano atravessa todas as suas peças e a dança parte ao encontro das pessoas, deixando espaço à fragilidade, à dúvida, ao sentido crítico, à partilha e ao humor. Solos, peças de grupo ou performances, as criações de Ambra Senatore inspiram-se na vida. A sua dança pede emprestado “gestos simples e movimentos do quotidiano” transpostos para um universo surrealista e alterado. Em cena, 18 indivíduos cruzam-se e alguns entram em relação. Os seus movimentos despistam os sentimentos que os impulsionam. A partir desta relação entre o individual e o coletivo, Ambra Senatore retrata meticulosamente a humanidade e as suas falhas. Obstinação, dúvida, inconstância... tudo é observado à lupa. A coreógrafa chama a nossa atenção para os gestos quotidianos que revelam muita coisa.

 

Coreografia Ambra Senatore
Música Piotr Ilitch Tchaikovski
Assistência à coreógrafa Matteo Ceccarelli e Elisa Ferrari
Desenho de luz Fausto Bonvini
Conceção de som Jonathan Seilman e Marc Lacourt

Estreia absoluta
Lisboa, Teatro Camões
Companhia Nacional de Bailado
18 de maio de 2018


   

Herman Schmerman

Estreou em 1992 no Ballet da cidade de Nova Iorque, coreografado para cinco bailarinos. Quatro meses mais tarde, para o Ballet de Frankfurt, Forsythe criou um dueto adicional a este bailado. Desde então é apresentado em diversas companhias no mundo, tanto a versão completa como apenas o dueto. Esta é uma aparente competição homem-mulher. Para o coreógrafo é uma simples peça sobre dança.

 

Coreografia, Espaço Cénico e Desenho de Luz William Forsythe
Música Thom Willems
Figurinos Gianni Versace e William Forsythe
Remontagem Maurice Causey

Estreia absoluta
Frankfurt, Opernhaus, Ballet,
Frankfurt, 26 de setembro de 1992

Estreia na CNB
Porto, Teatro Municipal do Porto. Rivoli
29 de janeiro de 2016


   

Raymonda (III Ato)

Muitos dos bailados do século XIX terminavam num ato de grande apoteose sustentando um final feliz ao enredo e onde todos os elementos, desde os bailarinos principais ao corpo de baile, se apresentavam no seu expoente máximo performativo. A estreia absoluta de Raymonda verificou-se a 7 de janeiro de 1898 no Teatro Mariinsky de S. Petersburgo e conservou-se até aos nossos dias no seu repertório, tendo sido revisitado por diversos coreógrafos. Neste ato celebra-se o casamento de Raymonda com o cavaleiro Jean de Brienne após o regresso deste das Cruzadas e de um convidado surpresa, Abderrakhman — um emir sarraceno, que tentou raptar Raymonda.

 

Coreografia Marius Petipa
Música Alexander Glazounov
Figurinos Da Silva Nunes

Estreia absoluta
São Petersburgo, Teatro Mariinsky
7 de Janeiro de 1898

Estreia na CNB
(integral) Lisboa, São Luiz Teatro Municipal
10 de junho de 1982


       

BIOGRAFIAS

   

COMPANHIA NACIONAL DE BAILADO


Companhia Nacional de Bailado

A Companhia Nacional de Bailado [CNB] foi criada por iniciativa do Governo de Portugal, em 1977. Ao longo das quatro décadas de existência tem apresentado obras de referência do reportório internacional, quer as incontornáveis do dito clássico, quanto as de coreógrafos como Balanchine, De Keersmaeker, Duato, Forsythe, Joos, Kylian, Limon, Naharin, Van Manen ou Spöerli. Paralelamente tem apostado em encomendas geradoras de uma identidade própria, com especial destaque nos convites a autores portugueses como Armando Jorge, Clara Andermatt, Fernando Duarte, Olga Roriz, Paulo Ribeiro, Rui Horta, Rui Lopes Graça ou Vasco Wellenkamp. A interligação com distintas áreas da criação artística tem sido, também, uma preocupação de muitas dessas encomendas envolvendo importantes nomes da música, encenação, cinema ou artes plásticas. O desenvolvimento de relações com outras estruturas de criação tem sido também privilegiado como o provam colaborações nomeadamente com a Orquestra Sinfónica Portuguesa, a Orquestra Metropolitana de Lisboa, a Orquestra de Câmara Portuguesa, e conceituados maestros e instrumentistas nacionais e estrangeiros. A realização de espetáculos abrangendo todo o território português, a par de digressões internacionais, tem constituído uma das missões da CNB. Paulo Ribeiro, que responde pela direção artística desde 2016, sucede no cargo a nomes como Luísa Taveira, Vasco Wellenkamp, Mehmet Balkan, Marc Jonkers, Jorge Salavisa, Isabel Santa Rosa e Armando Jorge.


       

WILLIAM FORSYTHE


William Forsythe

Mantém-se ativo, no panorama da coreografia, há mais de 45 anos. É reconhecido o seu trabalho na reorientação da dança, a partir da identificação com o reportório clássico, rumo a uma forma artística dinâmica e condizente com o século XXI. Iniciou os seus estudos na Flórida, dançou no Joffrey Ballet e depois no Ballet de Estugarda, onde foi nomeado coreógrafo residente, em 1976. Ao longo dos sete anos seguintes coreografou, ainda, para companhias europeias e norte-americanas. Entre 1984 e 2004 dirigiu o Ballet de Frankfurt. No ano seguinte criou a Companhia Forsythe que dirigiu ao longo de dez anos. As suas mais recentes criações foram desenvolvidas e apresentadas exclusivamente por esta companhia, mas o seu reportório anterior é dançado por elencos como os do Ballet Mariinsky, The New York City Ballet, The San Francisco Ballet, o Ballet Nacional do Canadá, o Semperoper Dresden Ballet, o Royal Ballet ou o Ballet da Ópera de Paris. Tem sido distinguido com os mais distintos prémios nos Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Suécia. Tem recebido encomendas para produção de instalações de arquitetura e performance. Inúmeros museus, bienais e festivais têm apresentado as suas instalações e filmes. Em colaboração com especialistas em comunicação e pedagogos tem desenvolvido novas abordagens à documentação da dança, pesquisa e educação. A sua aplicação informática Tecnologias da Improvisação é utilizada como ferramenta de ensino por companhias profissionais, conservatórios, universidades ou programas de pós-graduação em arquitetura. Forsythe é regularmente convidado para apresentação de palestras e workshops em universidades e instituições culturais. Em 2015 foi nomeado Coreógrafo Associado do Ballet da Ópera de Paris. Artifact II, In The Middle Somewhat Elevated e The Vertiginous Thrill of Exactitude, são criações de Forsythe anteriormente dançadas pela Companhia Nacional de Bailado.


       

MARIUS PETIPA


Marius Petipa

Marius Petipa, nascido na cidade francesa de Marselha, em 1819, é considerado o ‘pai do ballet clássico’. Inicia a sua formação em dança, com seu pai Jean Petipa, um bailarino e professor francês. Estuda em Bruxelas, onde frequenta o curso de música no conservatório da cidade. Aos doze anos estreia-se numa produção de seu pai para La Dansomanie, de Pierre Gardel. A partir dos quinze anos, o seu percurso passa pelas cidades francesas de Bordeús, Nantes e Paris. É na segunda que coreografa os seus primeiros pequenos trabalhos. Em 1845 fixa-se em Espanha. Estuda castelhano e cria obras como Carmen et son Torero, La Perle de Seville, L'Aventure d'une fille de Madrid, La Fleur de Grenade e Depart Dour la Course des Toureaux. Dois anos mais tarde, com um contrato por um ano com o Teatro Imperial de St. Petersburg, viaja para a Rússia onde acaba por se radicar o resto da sua vida. Como bailarino principal é aclamado em interpretações de bailados como Paquita, Giselle, O Corsário ou Fausto. Considerado como um excelente bailarino e partenaire, as suas interpretações, postura em palco e pantomima viriam a tornar-se exemplos para muitas gerações de bailarinos. Em 1854 assume funções de pedagogo na Escola Imperial, enquanto se mantém como bailarino e responsável pela reposição de obras do repertório francês. O seu primeiro grande sucesso, criado expressamente para o Teatro Imperial, é A Filha do Faraó, que lhe concede a nomeação, em 1862, como Coreógrafo Principal, cargo que manteve ao longo de aproximadamente cinquenta anos. É inestimável o valor do seu talento: coreógrafo de mais de sessenta grandes bailados e inúmeros trabalhos de mais curta duração, é-lhe também atribuída responsabilidade na fundação da escola do ballet russo. Contudo a nobreza do seu classicismo e a sua formalidade, acabaram por ser considerados ultrapassados e, em 1903, aos 84 anos de idade, Petipa é forçado a retirar-se, na sequência do fracasso da sua obra O Espelho Mágico. Em 1910, morre em St. Petersburg. Considerado um dos mais notáveis coreógrafos de todos os tempos, conduziu o ballet russo à fama internacional e ergueu os pilares para o ballet do século XX. O seu classicismo associa a pureza da escola francesa com o virtuosismo italiano.