DANÇA

COMPANHIA NACIONAL DE BAILADO

27.07 quinta, 22:00

28.07 sexta, 22:00

29.07 sábado, 22:00

Companhia Nacional de Bailado

 

Na celebração dos seus 40 anos, a CNB apresenta duas obras de temporadas recentes cujo sucesso inequívoco foi marcante

Rui Lopes Graça

Quinze Bailarinos

 

Ohad Naharin

Minus 16

   

Para esta edição do Festival ao Largo, em que a CNB comemora os seus 40 anos, preparámos duas obras que refletem a dimensão e a versatilidade de uma grande companhia. Quinze Bailarinos, do português Rui Lopes Graça, uma peça com uma ausência de narrativa mas que nos dá uma diversidade de leituras ao mesmo tempo que explora a capacidade técnica dos seus intérpretes. E Minus 16 do israelita Ohad Naharin, uma grande referência da dança contemporânea, que confirma nesta peça a sua habilidade em fazer o público dançar.

Paulo Ribeiro

Diretor Artístico da Companhia Nacional de Bailado


Rui Lopes Graça

Quinze Bailarinos

Rui Lopes Graça coreografia

João Penalva direção e figurinos

David Cunningham som

Nuno Meira desenho de luz


Quinze bailarinos é uma versão para espetáculos ao ar livre do bailado Quinze bailarinos e tempo incerto, estreado pela CNB em setembro de 2016 no Teatro Camões. Quinze bailarinos procura estimular a relação individual do espetador com a presença em palco de quinze bailarinos associados temporariamente a luz e som, mas sem o fio condutor de uma narrativa. Neste contexto, será o espaço sonoro concebido por David Cunningham a induzir o espetador a percorrer múltiplos caminhos individuais, próximos e longínquos, nem sempre reconhecíveis, porventura misteriosos, ameaçadores ou jubilantes. Até que ponto acontecimentos independentes mas simultâneos conseguem capturar a atenção de uma audiência e estimular a imaginação individual de cada um de nós? O trabalho coreográfico vai confrontar o público com os limites da sua imaginação. Levado por uma sucessão de imagens suscitadas pelo som, o espetador projetará a sua própria narrativa no confronto com a coreografia em que não se vislumbra qualquer teia dramática. Esta é a experiência que se oferece a um espetador emancipado que aceita o desafio de assistir a um espetáculo em que o aliciante papel de criador é oferecido à sua imaginação.

Rui Lopes Graça / João Penalva


Ohad Naharin

Minus 16

Ohad Naharin é um dos mais reconhecidos coreógrafos contemporâneos, a nível mundial. Sobre Minus 16, o atual diretor artístico da companhia israelita Batsheva diz “não é um novo trabalho, é mais uma reconstrução: gosto de pegar em peças ou secções de peças minhas e trabalhá-las de novo, reorganizá-las criando a possibilidade de as ver sobre um outro ângulo. Isso ensina-me sempre algo novo sobre o meu trabalho e a composição. Nesta peça eu peguei em diferentes secções de diferentes trabalhos meus. Foi como se eu estivesse apenas a contar o princípio ou o meio, ou o fim de várias histórias os quais depois de organizados resultam num trabalho tão ou mais coerente do que o original.”


Ohad Naharin coreografia e figurinos

Bambi desenho de luz

Erez Zohar assistente do coreógrafo

Colagem de composições de diversos autores música


1. You belong to my heart Perez Prado and his Orchestra (Agustin Lara / R. Gilbert);

2. Adios Mi Chaparrita Perez Prado and his Orchestra (L.F. Esperon / B. Marcus);

3. Hernando’s Hideaway Billy May’s Rico Mambo Orchestra (Richard Adler and Jerry Ross)

4. Solamente Una Vez Perez Prado (Agustin Lara / R. Gilbert);

5. Taboo (Tabu) Perez Prado and his Orchestra (Margarita Lecuona)

6. Isle of Capri Perez Prado and his Orchestra

7. Adios PampaMia Perez Prado (Canaro / Mores / Pelay)

8. It must be true The John Buzon Trio

9. Hava Nagila (traditional music) Dick Dale

10.Echad Mi Yodea (traditional music) arranged and played by Ohad Naharin and the Tractor’s Revenge

11.Nisi Dominus (Psalm 126), R.608 James Bowman (Vivaldi)

12.Somewhere over the rainbow adapted by Marusha (D.J.) (Harold Arlen & E.Y. Hamburg)

13.Hooray For Hollywood (cha cha) Don Swan & His Orchestra (John H. Mercer & Richard E. Whiting)

14.Sway Dean Martin (P.B. Ruiz & N. Gimbel)

15.Stabat Mater James Bowman and the Academy of Ancient Music (Vivaldi)



Companhia Nacional de Bailado

A Companhia Nacional de Bailado (CNB) foi criada em 1977 e é o organismo português de referência em dança clássica. Sediada em Lisboa, é a única companhia estatal com uma programação de dança em Portugal e também a única com um corpo permanente de artistas, que lhe permite garantir temporadas regulares de espectáculos no Teatro Camões (depois de, nas suas duas primeiras décadas, a principal sala da companhia ter sido o Teatro Nacional São Carlos), e um pouco por todo o país (Portugal continental e ilhas), além das digressões ao estrangeiro.

Fundada por iniciativa governamental com objectivos de serviço público, a companhia tem duas missões, que se complementam: uma de índole patrimonial, a preservação e divulgação do reportório balético mundial, através da produção de espectáculos de bailado clássico; e a permanente actualização desta forma de arte, com a apresentação de coreografias modernas e contemporâneas de coreógrafos nacionais e estrangeiros, algumas das quais concebidas para a CNB no âmbito da sua política de incentivo à criação. O resultado é um reportório acentuadamente ecléctico, que atravessa séculos, estilos e técnicas, enquanto mantém uma forte marca identitária portuguesa e europeia.

Assim, da sua história fazem parte as primeiras produções profissionais em Portugal de bailados clássicos em versão integral, como La Fille Mal Gardée, O Lago dos Cisnes, Dom Quixote, La Sylphide, La Bayadère, Paquita, Coppélia, Romeu e Julieta, O Pássaro de Fogo ou A Sagração da Primavera, bem como um continuado investimento na revisão e releitura destas obras canónicas, através de encomendas a criadores que as reinterpretam à luz dos nossos dias, frequentemente em diálogo com a História do país.

Os espectáculos da CNB ao longo destes 40 anos incluem trabalhos da autoria de destacados coreógrafos internacionais como George Balanchine, Vaslav Nijinsky, Serge Lifar, Kurt Jooss, José Limón, Lar Lubovitch, Michael Corder, Hans van Manen, Robert North, Heinz Spöerli, Nacho Duato, Mauro Bigonzetti, Henri Oguike, Cayetano Soto, Ohad Naharin, William Forsythe, Anne Teresa de Keersmaeker e Akram Khan, e coreógrafos portugueses como Armando Jorge, Fernando Lima, Carlos Trincheiras, Rui Lopes Graça, Olga Roriz, Vasco Wellenkamp, Paulo Ribeiro, Rui Horta, Clara Andermatt ou Fernando Duarte, entre outros.

A diversidade estética, alimentada também por uma intensa ligação da dança com outras expressões artísticas – música, cinema, drama, poesia, fotografia –, resulta numa companhia reconhecidamente actual, atenta às suas responsabilidades patrimoniais e simultaneamente muito aberta à influência de jovens criadores, incluindo coreógrafos, dramaturgos e compositores emergentes. Paulo Ribeiro é o director artístico da companhia, sucedendo a Luísa Taveira (2010-2016 e 1999-2000), Vasco Wellenkamp (2007-2010), Mehmet Balkan (2002-2007), Marc Jonkers (2001-2002), Jorge Salavisa (1996-1999), Isabel Santa Rosa (1994-1996) e Armando Jorge (1978-1993). A sede da CNB é na Rua Victor Cordon, no Chiado.