MÚSICA

15.07 — sexta-feira, 21:30h

 

Portugal na Primeira Grande Guerra

em colaboração com

o Festival Internacional de Música do Estoril

 

Orquestra Sinfónica Portuguesa

Coro do Teatro Nacional de São Carlos

Sara Braga Simões soprano

André Baleiro barítono

Joana Carneiro direção musical

Ralph Vaughan Williams

Dona Nobis Pacem

 

Ludwig van Beethoven

7.ª Sinfonia em Lá maior, op.92

 

Dona Nobis Pacem de Ralph Vaughan Williams é, segundo palavras do compositor, “uma prece pela paz e um aviso para as guerras que decerto virão”. Cantata para coro e orquestra escrita e estreada em 1936, utiliza textos de várias fontes — como os da missa latina, um discurso político proferido em 1855 por John Bright, poemas de Walt Whitman e passagens do Velho Testamento. A 7.ª Sinfonia em Lá maior, op.92 em quatro andamentos de Beethoven, foi ouvida pela primeira vez em Viena em 1813, dirigida pelo próprio compositor e acolhida com grande aplauso do público. De espantosa unidade e vibrante progressão rítmica, Beethoven considerava ser esta sinfonia uma das suas melhores obras e Wagner descreveu-a como “apoteose da Dança”. Talvez por essa razão – e bem ao seu estilo revolucionário – Isadora Duncan não hesitou dançar o Allegretto do segundo andamento.

Orquestra Sinfónica Portuguesa

Criada em 1993, a Orquestra Sinfónica Portuguesa (OSP) é um dos corpos artísticos do Teatro Nacional de São Carlos e tem vindo a desenvolver uma atividade sinfónica própria, incluindo uma programação regular de concertos, participações em festivais de música nacionais e internacionais. No âmbito de outras colaborações, destaque-se também a sua presença nos seguintes acontecimentos: 8.º Torneio Eurovisão de Jovens Músicos transmitido pela Eurovisão para cerca de quinze países (1996); concerto de encerramento do 47.º Festival Internacional de Música e Dança de Granada (1997); concerto de gala da Abertura da Feira do Livro de Frankfurt; concerto de encerramento da Expo’98; Festival de Música Contemporânea de Alicante (2000) e Festival de Teatro Clássico de Mérida (2003). Colabora regularmente com a Rádio e Televisão de Portugal através da transmissão dos seus concertos e óperas pela Antena 2, designadamente a realização da tetralogia O anel do Nibelungo, transmitida na RTP2, e da participação em iniciativas da própria RTP, como o Prémio Pedro de Freitas Branco para Jovens Chefes de Orquestra, o Prémio Jovens Músicos-RDP e a Tribuna Internacional de Jovens Intérpretes. No âmbito das temporadas líricas e sinfónicas, a OSP tem-se apresentado sob a direção de notáveis maestros, como Rafael Frühbeck de Burgos, Alain Lombard, Nello Santi, Alberto Zedda, Harry Christophers, George Pehlivanian, Michel Plasson, Krzysztof Penderecki, Djansug Kakhidze, Milán Horvat, Jeffrey Tate e Iuri Ahronovitch, entre outros. A discografia da OSP conta com dois CD para a etiqueta Marco Polo, com as sinfonias n.os 1, 3, 5 e 6 de Joly Braga Santos, que gravou sob a direção do seu primeiro maestro titular, Álvaro Cassuto, e Crossing borders (obras de Wagner, Gershwin e Mendelssohn), sob a direção de Julia Jones, numa gravação ao vivo pela Antena 2. No cargo de maestro titular, seguiram-se José Ramón Encinar (1999-2001), Zoltán Peskó (2001-2004) e Julia Jones (2008-2011); Donato Renzetti desempenhou funções de primeiro maestro convidado entre 2005 e 2007. Atualmente, a direção musical está a cargo de Joana Carneiro.

Coro do Teatro Nacional de São Carlos

Criado em condições de efetividade em 1943, sob a direção de Mario Pellegrini, o Coro cumpre uma fase intensiva de assimilação do grande repertório operístico e de oratória. Entre 1962 e 1975, colaborou nas temporadas da Companhia Portuguesa de Ópera, sediada no Teatro da Trindade, deslocando-se com a mesma à Madeira, aos Açores, a Angola e a Oviedo (1965), a convite do Teatro Campoamor, e obtendo o Prémio de Música Clássica conferido pela Casa da Imprensa. Participou em estreias mundiais de autores portugueses, como Fernando Lopes-Graça (D. Duardos e Flérida) e António Victorino d’Almeida (Canto da Ocidental Praia). A plena afirmação artística do conjunto é creditada a Gianni Beltrami, a partir de 1985. Registe-se a participação na Grande missa dos mortos (Berlioz), em Turim. João Paulo Santos sucedeu a Beltrami, constituindo-se como o primeiro português no cargo. Sob a sua responsabilidade, registam-se vários êxitos: Mefistofele (Boito); Blimunda e Divara (Corghi); aSinfonia n.º 2 de Mahler, com a Orquestra da Juventude das Comunidades Europeias; A criação (Haydn); a cantata Faust e o Requiem de Schnittke; Perséphone e Le rossignol (Stravinsky); Evgeni Onegin (Tchaikovski); Les Troyens (Berlioz); Missa glagolítica (Janácek); Tannhäuser e Die Meistersinger von Nürnberg (Wagner); e Le grand macabre (Ligeti). Com o Requiem de Verdi, deslocou-se a Bruxelas (1991). O Coro tem atuado sob a direção de algumas das mais prestigiadas batutas, como Antonino Votto, Tullio Serafin, Vittorio Gui, Carlo Maria Giulini, Oliviero de Fabritiis, Otto Klemperer, Molinari-Pradelli, Franco Ghione, Alberto Erede, Alberto Zedda, Georg Solti, Nello Santi, Nicola Rescigno, Bruno Bartoletti, Heinrich Hollreiser, Richard Bonynge, García Navarro, Wolfgang Rennert, Rafael Frühbeck de Burgos, Franco Ferraris, James Conlon, Harry Christophers, Michel Plasson e Marc Minkowski, entre outros. Também foi dirigido em óperas e concertos pelos mais importantes maestros portugueses, com relevo especial para Pedro de Freitas Branco. Atualmente, a direção musical está a cargo de Giovanni Andreoli.

Sara Braga Simões

Venceu vários prémios nacionais e internacionais, sendo considerada pela crítica internacional de ópera uma soprano de extensão impressionante (Opera Now), com desempenho excecional (Opera Magazine). É convidada regular das temporadas do Teatro Nacional de São Carlos e nos principais teatros, salas de concerto e festivais de música portugueses. Tem-se apresentado, também, em Espanha, França, Inglaterra, Eslovénia, Andorra e Moçambique. Para além de ter interpretado dezenas de papéis principais de repertório lírico, o seu repertório concertístico abarca obras de compositores como Händel, Pergolesi, Vivaldi, Ravel, Berio, George Crumb, George Benjamin, Peter Maxwell Davies e, também, as obras Messiah de Händel, Ein Deutsches Requiem de Brahms, Gloria de Poulenc e Des Knaben Wunderhorn de Mahler, entre outras. Fez a estreia absoluta de sete óperas de século XXI, destacando-se a estreia absoluta da ópera O Sonho de Pedro Amaral, em Londres, com a London Sinfonietta. Foi dirigida por maestros como: Lawrence Renes, Martin André, Stefan Asbury, Peter Rundell, Johannes Willig, Laurence Cummings, Marcos Magalhães, Ferreira Lobo, Cesário Costa, António Saiote, Marc Tardue, Osvaldo Ferreira, Pierre-Andre Valade, entre outros. Gravou, com o pianista Luís Pipa, a integral da obra para Canto e Piano de Eurico Thomaz de Lima. Ao longo do seu percurso académico, Sara Braga Simões teve como mestres Manuela Bigail, Rui Taveira e Peter Harrison. Continuou os seus estudos em Londres com Susan McCulloch. Atualmente, recebe orientação de Elisabete Matos.

André Baleiro

Vive em Berlim onde é finalista do curso de canto na Universidade das Artes (UdK), sob a orientação do Prof. Kammersänger Siegfried Lorenz, Markus Brück, Eric Schneider e Axel Bauni. Recentemente colaborou com a Kammeroper de Munique no papel principal da nova produção Kaspar Hauser com música de F. Schubert. Da sua experiência no palco operático destacam-se os papéis de Apollon (La descente d’Orphée aux Enfers), Caporale (Il cappello di paglia di Firenze), Pantalone (Turandot), Don Parmenione (L’occasione fa il ladro), Capitaine (Les trois Souhaits) e Conte Belfiore (Fra i due litigante il terzo gode). Já se apresentou, em concerto, em França, Espanha, Alemanha e Suíça, bem como no Japão onde interpretou o Requiem de G. Fauré. Destacam-se também o Requiem Alemão de J. Brahms em Lausanne e a Paixão segundo São Mateus. Apresenta-se regularmente em recital com o maestro João Paulo Santos e colaborou pela primeira vez com o pianista Eric Schneider em fevereiro deste ano, onde apresentou o ciclo integral Italienisches Liederbuch de Hugo Wolf em Berlim. Em 2012, obteve o 2.º prémio no 6.º Concurso de Canto Lírico da Fundação Rotária Portuguesa e um prémio da fundação Walter & Charlotte Hamel Stiftung em Hannover. Em 2014, foi finalista no concurso Franz Schubert em Steyr, Áustria. Desde 2012 é bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian.

Joana Carneiro

Joana Carneiro é Maestrina Principal da Orquestra Sinfónica Portuguesa, Diretora Musical da Orquestra Sinfónica de Berkeley, Maestrina Convidada da Orquestra Gulbenkian e Diretora Artística do Estágio Gulbenkian para Orquestra. Na presente temporada, tem concertos com as Orquestras da Rádio Sueca, Gotemburgo, London Sinfonietta, Castilla y León Symphony, Royal Stockholm, Hong Kong, entre outras. Projetos futuros incluem concertos com a Orquestra Filarmónica de Los Angeles, Orquestra Sinfónica de São Francisco, Oslo, Rádio Sueca, Gotemburgo, Estocolmo, Helsínquia e Britten Sinfonia. Joana Carneiro colaborará com Peter Sellars, dirigindo a produção de La Passion de Simone, de Kaija Saariaho, em junho de 2016 e The Gospel according to the Other Mary, de John Adams, em março de 2017. Foi Maestrina Assistente da Filarmónica de Los Angeles, onde trabalhou com o seu mentor Esa-Pekka Salonen. Foi Maestrina Assistente da Los Angeles Chamber Orchestra e Diretora Musical da Campus Philharmonia Orchestra (Michigan). Licenciou-se em Direção de Orquestra na Academia Nacional Superior de Orquestra. Estudou com Kenneth Kiesler (Michigan), Kurt Masur (Londres), Michael Tilson Thomas (Miami), Victor Yampolsky (Chicago), Mallory Thompson (Chicago) e Jean Marc Burfin (Lisboa). Joana Carneiro é Comendadora da Ordem do Infante D. Henrique.